quarta-feira, 27 de julho de 2011

DESENVOLVER CAPACIDADES MOTORAS ORAIS

já dizia o velho ditado: «Mais vale prevenir que remediar», é a partir deste que escrevo o artigo de hoje…já que aí estão as férias e há sempre mais um tempinho para brincadeiras em família e também para aproveitar para dar à volta a alguns «hábitos» que não ajudam o desenvolvimento adequado das capacidades motoras orais.

Não se trata de um plano de intervenção…mas sim de prevenção!!!!...com algumas dicas e estratégias de exercícios e brincadeiras que facilitam o desenvolvimento motor oral, com o objectivo de uma aquisição correcta da fala.

- Pôr de parte hábitos orais, tais como biberão e chupeta: aproveite as ferias para tirar a chupeta e trocar o biberão por um copo ou por uma palhinha se a criança já tiver mais de 18 meses; com as férias não há a pressa de ter de acordar cedo, de ter de se despachar mais rápido (que é o que muitas vezes acontece com as crianças que apresentam hábitos de sucção muito tardios)

- Favorecer mastigação, a introdução de novos alimentos com diferentes texturas e sabores, (tempo de ferias e de praia, a estimulação sensorial táctil consequente do Verão, pelo uso de menos roupa, pela água e pela a areia da praia faz com que a criança tenha um «banho sensorial»…aproveite!!!)

- Lamber gelados (trabalha o movimento de supraversão da língua)

- Favorecer a respiração nasal (mantendo sempre a desobstrução nasal, retirar os hábitos de sucção)

- Exercícios:
- dar estalinhos com a língua
- dar estalinhos com os lábios
- «limpar o bigode» com a língua
- levar a língua de um canto a outro dos lábios
- «varrer o céu da boca» de trás para a frente com a ponta da lingua
- encher balões,
- fazer bolas de sabão
- soprar «línguas de sogra»
- se a criança apresentar um posicionamento de manutenção da boca aberta, estimular o morder, através de borrachas para os dentes (brinquedos de silicone que se vendem para os bebés morderem)
- mastigar pastilha elástica sem açúcar
- beber pela palhinha
- fazer caretas (mímica facial)

A base para um bom padrão de articulação verbal esta nas boas capacidades da motricidade oral, por isso atenção às transições alimentares e aos hábitos orais (chupeta, chuchar no dedo, biberão…).


....Divirtam-se e boas férias!!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL

O Processamento Auditivo Central refere-se aos processos envolvidos na detecção, na análise e na interpretação de eventos sonoros. Estes processos acontecem no sistema auditivo periférico e no sistema nervoso auditivo central. É desenvolvido nos primeiros anos de vida, portanto é a partir da experienciação do mundo sonoro que aprendemos a ouvir.

O que representa uma Perturbação do Processamento Auditivo Central?
- A alteração no funcionamento do processamento auditivo está relacionada com uma alteração da função auditiva em que há um impedimento na capacidade de analisar e/ou interpretar padrões sonoros.

QUAL É O PRINCIPAL OBJECTIVO DA AVALIAÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL?
- O objectivo da avaliação do processamento auditivo central é medir a capacidade do indivíduo em reconhecer sons verbais e não verbais em condições de audição difícil. Desta forma, pode-se inferir sobre a capacidade do indivíduo em acompanhar a conversação em ambientes desfavoráveis; determinar as incapacidades auditivas, ter um parâmetro de medida quantitativo da qualidade da audição e contribuir no diagnóstico e no tratamento de diversas perturbações da comunicação oral e escrita.

O QUE FAZER NAS ALTERAÇÕES DE PROCESSAMENTO AUDITVO?


- Nas alterações de processamento auditivo a conduta principal é o treino auditivo. O desenvolvimento auditivo verbal envolvendo as capacidades auditivas de atenção selectiva; discriminação dos padrões temporais e de frequência dos sons da fala; localização; memória; fala e linguagem deve fazer parte do plano de intervenção do terapeuta da fala.

O MEU FILHO TEM UMA PERTURBAÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO?
- A maioria dos pais quando se defronta com uma criança com uma perturbação do processamento auditivo refere as mesmas situações:


“o meu filho parece que não ouve embora tenha tido um exame audiológico normal”, o meu filho distrai-se e não compreende bem o que dizemos se houver barulho no lugar”, está sempre a perguntar ah?, o quê?, é preciso repetir muitas vezes o que dizemos, não gosta de sons fortes como os foguetes… »


Diversas são as queixas que podem gerar dúvidas sobre a maturidade do sistema auditivo.
Uma perturbação do processamento auditivo difere da surdez, pois a pessoa pode não ter perda de audição, a dificuldade está em entender aquilo que se ouve.
Para sabermos que estamos perante uma dificuldade de processamento auditivo, a primeira providência é consultar um médico otorrinolaringologista. Após verificar que não há perda auditiva, ou esta seja mínima, passa-se para a avaliação do processamento auditivo, se for verificado que o problema está a este nível – perturbação do processamento auditivo – deve ser iniciado treino auditivo por um terapeuta da fala, para que tal perturbação possa e deva ser tratada.

SINAIS:
- Mostra-se excessivamente desatento;
- Apresenta reacções exacerbadas para sons intensos;
- Tem uma reacção lenta ao responder a estímulos auditivos (aumento do tempo de latência das respostas);
- Tem dificuldade na localização sonora;
- Tem dificuldade em acompanhar uma conversa quando as pessoas falam ao mesmo;
- Confunde a ordem dos factos ou não compreende uma história ou anedota com duplo sentido;
- Não atende prontamente quando é chamado ou necessita que o chamemos muitas vezes para que responda;
- Tem dificuldade em pronunciar o /r/ e o /l/;
- Fica confuso ao narrar uma história ou quando tem que fazer um recado;
- Apresenta dificuldades na escola, principalmente nas disciplinas de Matemática e de Português;
- Demora muito para conseguir aprender a ler e a escrever;
- Troca muito as letras na escrita;
- Tem uma má caligrafia;
- Confunde-se sistematicamente ao identificar e a distinguir a direita da esquerda;
- Não consegue interpretar os textos que lê;
- Tem dificuldade em memorizar as coisas;
- É muito agitado ou, pelo contrário, quieto demais;
- Solicita a repetição de informações auditivas;
- Procura pistas visuais no rosto do falante;
- Tem histórico de infecções repetitivas nos ouvidos (otites);
- Gagueja ao falar;
- Desajustes sociais: tendência ao isolamento.


E CAUSAS que podem estar associadas:

- Privação sensorial (falta de experiência acústica no meio ambiente) que gera uma imaturidade das vias auditivas do sistema auditivo;
- Alterações neurológicas (doenças degenerativas, alterações causadas por anóxia);
- Problemas congénitos (infecções congénitas – rubéola, sífilis, toxoplasmose, herpes e citomegalovírus);
- Baixo peso ao nascer;
- Alcoolismo materno ou ingestão de drogas psicotrópicas na gestação;
- Permanência na incubadora;
- Perda auditiva condutiva (a frequência da otite leva a uma falta de consistência de estimulação, à distorção da mensagem e, consequentemente, a alterações do desenvolvimento da audição, da fala e da linguagem);
- Perda auditiva neurossensorial nos primeiros anos de vida.

ESTRATÉGIAS A SEREM UTILIZADAS:

•Em crianças com dificuldades em processar a informação auditiva deve ser utilizado estratégias facilitadoras. Em baixo referem-se algumas estratégias que podem ajudar seu filho(a)/aluno(a), porém actividades mais específicas e direccionadas especificamente para o problema da criança são dadas durante o treino auditivo com o terapeuta da fala e após avaliação prévia.



- Em sala de aula:
* Ter um lugar preferencial que será indicado de acordo com os exames e estratégias terapêuticas realizadas
* Manter as portas fechadas
* Estar em salas com material que tenha boa capacidade de absorção acústica
* As áreas de estudo devem ser silenciosas, livres de distracções auditivas e visuais.
* Os professores podem usar estratégias para melhorar a transmissão da mensagem (ex.: reforço com palavras-chave, escritas à frente da criança)
* Pequenos toques ou chamar o aluno pelo seu nome durante a aula, pode ajudar a verificar sua manutenção de atenção
* Em alguns casos oferecer imagens (pista visual) em simultâneo com a mensagem auditiva pode ajudar na memorização;
* É importante que o aluno tenha uma lista do vocabulário chave: escrever no quadro palavras-chave do novo material e as instruções (a criança com PPAC necessita de anotações organizadas e lembretes);
* Um amplificador de som poderá ser bem útil em alguns casos (sistema FM)

Orientações para o estudo em casa:
* Reduzir o nível de ruído nos locais de estudo
* Usar alcatifa, remover telefones ou outros estímulos auditivos do local de estudo.
* Ter sempre que possível um auxiliar para as actividades mais difíceis
* Ter situações diárias de comunicação entre pais e filho(a)
* Os pais devem ser um bom modelo de fala: descrever para a criança as actividades diárias, expandir a fala da criança acrescentando novas informações, usar frases curtas, ditas pausadamente, com grande entoação melódica e sempre num contexto rico.
* Evitar a TV e o rádio ligado em volume alto, durante situações de comunicação (conversação)

Orientações para uma criança com PPAC:
* Aprende a apontar as palavras-chave!
* Em alguns casos o uso de um gravador pode auxiliar os seus estudos
* Tenta imaginar tudo o que ouves, visualiza a informação! Treina esta actividade com o teu terapeuta.






referências bibliográficas:




Nunes, C. (2010) Apontamentos do Curso de Processamento Auditivo Central




Arte de Comunicar






quarta-feira, 6 de julho de 2011

Capacidades de Consciência Fonológica

O insucesso escolar ainda é um dos grandes problemas da nossa sociedade e propostas para minimizar o mesmo têm de ser desenvolvidas.

O papel da consciência fonológica sobre a aprendizagem da leitura e da escrita é amplamente referenciado na literatura, assim como a importância da utilização de actividades de consciência fonológica de forma preventiva ou habilitadora.

A Consciência Fonológica (CF) constitui um dos níveis da consciência linguística ou metalinguagem, mais ampla, e abarca os aspectos morfológicos, semânticos, sintácticos e pragmáticos da linguagem.

Então, o que é a Consciência fonológica (CF)?

A CF é uma capacidade metalinguística, na qual a percepção é dirigida aos segmentos sonoros da fala, permitindo a sua identificação e manipulação. Tem como característica principal a intencionalidade e evolui da identificação de rimas a sílabas até a identificação dos elementos mais discretos da fala – os fonemas.

Esta evolução pode ser observada quanto ao nível das sílabas, das unidades intra-silábicas e dos fonemas.

O primeiro nível refere-se a capacidade da criança em dividir as palavras em sílabas. A sílaba é a unidade natural de segmentação da fala, sendo esta a a mais fácil para as crianças.
As crianças desde muito cedo apresentam esta capacidade de dividir a palavra em sílabas oralmente, sendo muitas vezes espontânea e usada nas suas brincadeiras, tais como nas lengas-lengas para saber quem inicia o jogo, por exemplo: «un-dó-li-tá-…» ou «u-na-ni-po-li-po-li-a-na-u-ma-bar-qui-nha-que-vem-da-es-pa-nha-u-na-ni-quem-a-pa-nha-és-tu».

O segundo nível é o das capacidades intra-silábicas, refere-se à capacidade de reconhecer que existem palavras que podem iniciar e terminar com os mesmos sons, constituindo as alterações (braço – brisa; maçã – mota) e as rimas (limão – coração) respectivamente.
As rimas caracterizam-se essencialmente pela presença de sons iguais desde a vogal ou ditongo tónico até o último fonema (gato – pato); podem constituir sílabas inteiras (comilão-castelão), só a rima da sílaba (rapé – café), mais do que uma sílaba (história – vitória) e em palavras monossílabas (pão – mão).

As rimas acabam por fazer parte «naturalmente» do desenvolvimento linguístico da criança, pois fazem parte do seu dia a dia desde muito cedo, nas músicas, nas histórias, nas lengas-lengas, tornando-se numa actividade mais fácil por não exigir uma competência analítica mas sim uma similaridade fonológica. Esta capacidade auxilia nas analogias entre as palavras.

O terceiro nível refere-se a capacidade de dividir as palavras em fonemas, ou seja, nas menores unidades de som que podem modificar o significado de uma palavra, também chamada de consciência fonémica. Necessita de maiores capacidades de consciência fonológica e está relacionada ao contacto com a escrita, mesmo que não seja dentro de um sistema convencional de ensino.

Um ambiente rico em histórias, música, lengas-lengas, adivinhas, anedotas, etc.. incentivará o desenvolvimento das capacidades de CF da criança e esta poderá apresentar mais refinada a capacidade de interpretar e estabelecer significados, melhor desempenho ao nível da memória auditiva e visual e um maior léxico.

Então, a CF é importante porque…

 A consciência dos fonemas é necessária para compreender o princípio alfabético, que está na base do nosso sistema de língua escrita.
 Os leitores em desenvolvimento devem ser sensíveis à estrutura interna das palavras.
 Se as crianças compreenderem que as palavras podem ser divididas em fonemas individuais e que os fonemas podem ser combinados de modo a formar palavras, podem usar o conhecimento da relação letra-som para ler e construir palavras.

Logo…

 As capacidades de CF que a criança apresenta no jardim-de-infância/pré permitem prever o sucesso da criança para a capacidade leitora.
 O sucesso nos primeiros passos da leitura depende de conseguir um determinado nível de CF.
 O desenvolver as capacidades de CF beneficia todas as crianças e torna-se critica para outras, principalmente para estudantes em situação de risco, ou seja, que apresentam dificuldades de aprendizagem.


Para quem vive perto, aconselho... ~

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Abordagem da Disciplina


Um pouco da sequência dos artigos que vou escrevendo, passa também um pouco pelo que se sucede ao longo do meu dia a dia de trabalho. Acaba por ser um desabafo, um arrumar de ideias para mim, para os pais e por quem aqui passa e sinta que de alguma forma o que aqui escrevo ajuda-o de alguma forma.

Disciplina, regras...porquê é que algumas crianças são mais « fáceis« de impor regras do que outras?..porque é que crianças com dificuldades/alterações no desenvolvimento apresentam mais alterações de comportamento?...pois bem e citando o grande pediatra Brazelton, é importante compreender a personalidade da criança para assim conseguir adaptar a disciplina às qualidades individuais dela.

Durante o meu dia a dia de trabalho e entre uma criança e outra, antes propriamente da intervenção, há necessidade de traçar um perfil da personalidade da criança que tenho à frente, para então seleccionar as estratégias para alcançar os objectivos a que nos propomos (eu e a família) em relação ao seu desenvolvimento, quer na área da comunicação, quer na área da linguagem quer na área da alimentação.

A personalidade da criança é única e revela-se logo desde o seu inicio. O tipo de disciplina a que uma criança responde e o numero de vezes que precisa dela, variam, em parte, com a sua personalidade. Pode-se apontar três grupos de características que variam de criança para criança e afetam a maneira como cada uma lida com o mundo. Estas, em conjunto com os ritmos de sono, a fome e outras funções biológicas, definem a personalidade da criança:
- a forma como a criança encara as tarefas - a sua atenção, a sua persistência, o nível de atenção;
- a flexibilidade com que encara as pessoas - orgulhosa, adaptável, envergonhada ou rígida;
- a forma como reage às imagens, sons, acontecimentos, mudança de rotinas, etc.. - a qualidade dos seus estados de espírito e a intensidade das suas reacções.

Tendo em conta estas três características, é necessário saber arranjar estratégias para conseguirmos que a criança realize a tarefa ou compreenda o que lhe está a ser pedido.

- Crianças muito ativas: podem ter maiores dificuldades em se controlarem e precisam com mais frequência de uma atitude mais prática do adulto.

- Crianças difíceis de se ambientar: muitas vezes inibem-se ou até mesmo tornam-se rebeldes de forma calma, se forem obrigadas a experimentar algo de novo. São crianças que necessitam de mais encorajamento e mais tempo para se prepararem e precisam que o adulto decomponha a nova exigência em passos mais pequenos.

- crianças muito sensíveis: atentas a tudo o que lhes rodeia, podem sentir-se responsáveis por coisas que não são para a sua idade e sentirem-se destroçadas pela culpa, à mais leve chamada de atenção.

- Crianças com pouca capacidade de concentração: podem ter dificuldades em cumprir uma série de instruções e precisam de de terminar uma tarefa de cada vez, antes de lhes ser dada outra.

- Crianças com hipersensibilidade sensorial: que sentem profundamente tudo o que vêem, ouvem ou tocam. Precisam de silenciar os sons e fechar os olhos às imagens que as rodeiam. Isto pode fazer com que não respondam a um pedido do adulto.

Compreender a personalidade da criança ajuda a adaptar a disciplina para a tornar mais eficaz. Uma disciplina adaptada às qualidades individuais da criança tem maiores probabilidades de a ensinar a controlar o seu comportamento - sozinha.

Não nos podemos esquecer que é com as regras e com os limites impostos pelo adulto que a criança organiza-se, cresce e aprende.






«O Método Brazelton - A Criança e a Disciplina», T. Brazelton e J. Sparrow

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A importância de detetar precocemente os problemas de audição


A audição é um dos sentidos mais importantes para a linguagem oral..por isso a deteção precoce dos problemas de audição na criança é importante para o seu desenvolvimento linguístico.


Os primeiros anos de vida têm sido considerados como o período crítico para o desenvolvimento das competências auditivas e de linguagem. Este é o período de
maior plasticidade cerebral das vias auditivas. Neste período, o sistema nervoso auditivo central pode ser modificado de maneira positiva ou negativa, dependendo da quantidade e qualidade dos estímulos externos captados. Além disso, o período de receção dos símbolos linguísticos auditivos é um pré-requisito para a formulação da expressão verbal.

O diagnóstico audiológico realizado durante o primeiro ano de vida possibilita a intervenção médica e terapêutica, ainda neste
período, permitindo um prognóstico mais favorável em relaç
ão ao desenvolvimento global da criança.


As alterações ao nível da audição podem ser percebidas desde o primeiro mês de vida. Basta observar se a criança apresenta alguma reação perante um som (como direcionar o rosto quando ouve o som). Após um ano de idade é importante verificar se a criança balbucia e se reage a algum som.

É possível reconhecer uma criança ou um adulto com dificuldade de audição quando não responde quando é chamada, solicita sempre a repetição do que foi dito, aumenta o volume do rádio ou da televisão, é desatenta, apresenta alterações articulatórias verbais (troca as letras na fala) e ainda apresenta dificuldades de aprendizagem.


Desenvolvimento da fala e audição:

· 0 à 3 meses: A criança diminui a atividade que está a fazer ou fica mais quieta ao ouvir um som. Por exemplo: voz dos pais e apresenta reações a sons altos: pisca os olhos, chora, pára de mamar.

· 3 a 6 meses: Olha para quem fala; vira a cabeça para o lado de fonte sonora; gosta de brinquedos que emitem sons.

· 6 a 10 meses: Responde ao próprio nome e mostra compreensão a palavras simples. Exemplos.: Não, tchau!. Emitem sons.
· 10 a 15 meses: Imita palavras simples; conhece o nome dos seus brinquedos e pode apontá-los quando lhe é pedido.
· 15 a 20 meses: Fala entre 10 a 20 palavras.
· 20 a 24 meses: Mostra interesse na rádio e televisão; já sabe dizer o seu nome.
· 24 meses a 3 anos: fala das suas experiências do dia-a-dia; fala cerca de 270 palavras.
· Maior de 3 anos: Conversa corretamente, sem trocas ou erros de fonemas (com excepção do som /r/ que pode ser adquirido até mais tarde).

Northern e Downs, 1989; Zorzi,. 2000


Ainda dentro da problemática dos problemas de audição e a primeira

infãncia, não poderia deixar de falar no uso de biberões até uma idade tardia e de serem ingeridos numa posição inadequada (deitados) e que podem originar otites médias.


O bebé deve ficar ligeiramente sentado impedindo que o leite reflua para a nasofaringe, originando o risco de otites. Esta posição permite que a língua encoste ao palato na posição correcta para engolir, porque quando está deitado, o bebé engole o leite rapidamente a língua fica mais anterior podendo originar mais tarde problemas de fala ou deglutição.


A revisão da literatura mostra que a perda auditiva observada nas otites médias pode ser ligeira e flutuante e os dados mostram que os três primeiros anos de vida da criança são críticos para o desenvolvimento da linguagem, e que crianças com otites médias, neste período, têm maior risco de apresentarem atraso do desenvolvimento da linguagem, no comportamento e, futuramente, na aprendizagem escolar.


Hoffman et al, 2002; Butler et al, 2001

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Freio da Lingua...cortar ou não???

«O meu filho não fala...será que tem a lingua presa?..»

Este é um tema que os terapeutas da fala, médicos pediatras e outros técnicos que seguem a criança, ouvem para a justificação de muitos dos atrasos ao nível da linguagem expressiva e de muitas alterações da articulação verbal por parte dos pais. Por isso hoje vou dedicar este artigo à esse tema: O freio da Lingua.

Quase todas as alterações da fala não tem qualquer relação com a real problemática da "língua presa", ou seja, com a presença de um freio lingual encurtado e com inserção anteriorizada. Porém, há casos em que realmente existe um encurtamento e uma inserção anteriorizada do freio lingual que irá prejudicar os movimentos da língua e consequentemente a fala e a deglutição (ato de engolir).

O comprimento do freio da língua, que é uma faixa de tecido localizada abaixo da língua, varia consideravelmente de pessoa para pessoa. Ao nascer, os bebês têm a língua curta e o freio estreito (favorecer o tipo de alimentação). Depois de um ano, o freio pode ficar anormalmente curto se:

- A ponta da língua não pode ser puxada para fora.
- Ao puxar a língua, a lingua «parte-se» ao meio (bifida).

Nestes casos extremos em que é muito restrito as possibilidades de movimentação da lingua, há a necessidade de intervenção terapêutica (terapia da fala) para reorganizar os movimentos da língua tanto para a deglutição como para a fala.

Quando o freio lingual é curto a língua tem dificuldades em se elevar e produzir adequadamente sons, tais como: /t/, /d/, /l/ e /r/, entre outros.

Nos casos em que existe algum destes problemas, há necessidade inicialmente de uma frenectomia (corte do freio lingual) para que a mesma possa ter "liberdade" para se movimentar. Esta cirurgia é realizada por um cirurgião pediátrico, e se existem alterações no padrão da deglutição e no padrão articulatório verbal é importante a intervenção do terapeuta da fala para a reorganização do padrão motor da lingua para a função.

No entanto, lembre-se que em muitos casos, mesmo que haja um encurtamento da lingua a criança consegue um padrão motor (da lingua) adequado tanto para a deglutição como para a fala, e as dificuldades que muitas vezes apresenta ao nível da Linguagem/Fala nada têm a ver com a motricidade oral.

Portanto, se tem dúvidas quanto ao desenvolvimento da linguagem do seu filho, fale com o seu médico pediatra ou procure um terapeuta da fala, eles irão esclarecer quanto às suas dúvidas e fornecer a melhor orientação para o problema.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A importância do BRINCAR....

“Privar uma criança de brincar é privá-la do prazer de viver”,






Françoise Dolto




Indo de encontro à época e visto estarmos a comemorar o Dia da Criança deixo convosco aqui algumas palavras sobre a importância do brincar no desenvolvimento psicomotor da criança.

Nos tempos que correm, os pais parecem obcecados pelo sucesso escolar dos filhos, o que não é de admirar se pensarmos na competitividade do meio profissional, no desemprego e no consumo desenfreado.

Na ânsia louvável de os ajudar a vir a ser alguém, esquecemo-nos de uma coisa fundamental: as crianças também precisam de brincar, de perder horas infindas a fazer aquilo que realmente gostam.

Brincar está profundamente ligado à aprendizagem, principalmente nos primeiros anos, e é através dos brinquedos e das brincadeiras que a criança descobre o seu papel no mundo.

Explorando sítios novos, que imaginam ser grutas de piratas e cavernas de Ali Babá, acreditando ser reis, princesas, soldados e ladrões, etc., os miúdos aprendem a conhecer o ambiente que os rodeia e a aperfeiçoar as suas relações com os outros.

Por vezes acontece os pais estarem tão ocupados a pensar quais os brinquedos mais didácticos que podem comprar para os filhos, e quais os que vão fazer ficar mais inteligentes que os outros meninos, que se esquecem de que uma boa brincadeira não exige nada de muito dispendioso ou sofisticado.

A maneira como os pais reagem às brincadeiras está intimamente ligada ao prazer que as crianças retiram delas. Se estes transmitem ao filho a ideia de que brincar é pouco importante, ela não poderá divertir-se em pleno.

Não se preocupe com aquele quarto eternamente desarrumado com puzzles, cubos e blocos de todas as cores é um verdadeiro passaporte para que o seu filho venha a estar entre os primeiros da turma, pois estes brinquedos para montar estimulam a criatividade da criança.

Os especialistas sugerem que os pais ofereçam aos filhos a maior quantidade possível de brinquedos de montar que se possam transformar em inúmeras coisas, em vez de outros que sejam aquilo que está à vista e nada mais.

Os brinquedos com funções muito limitadas, além de pouco apelativos, despertam o interesse das crianças durante muito menos tempo.

Uma caixa cheia de areia, objectos do uso do dia a dia, material para pintar e papel, plasticina e roupas velhas com que possam inventar máscaras criativas estimulam a imaginação de forma excelente e são muito mais baratos.

Um adulto que encoraja uma criança a brincar deve dar-lhe ideias e ajudá-la a pô-las em prática, mas deve deixá-la adaptar as brincadeiras à sua maneira e dar-lhes o seu cunho pessoal. Deixe ser ela a criar o seu «faz de conta», dê-lhe pistas para fazer associações entre ideias e conseguir resolver dilemas e alargar o contexto da brincadeira

Se sugerir uma brincadeira ao seu filho, não tente impor-lhe a sua vontade, dizendo-lhe que era mais giro se ele fizesse assim ou assado, ou chegando ao cúmulo de ser você a fazer tudo sozinha. Ele terá muito mais orgulho nos biscoitos defeituosos ou na torre em equilíbrio precário que fez com as próprias mãos do que uma grande obra de arte, toda perfeitinha, feita por si.

Para além disso, só dando à sua imaginação e vontade a criança pode desenvolver a sua curiosidade natural e autoconfiança. Deixe que ela assuma as rédeas da brincadeira e que lhe peça ajuda quando necessário.

Em suma, é importante brincar: sozinho, com amigos, com irmãos, com bolas, livros ou barbies. Não e preciso gastar muito dinheiro nem puxar demasiado pela imaginação para garantir aos seus filhos horas de divertimento puro. E não se esqueça que, ao brincar, eles também estão a aprender...




E já agora aconselho a leitura deste artigo da psicologa Clinica Teresa Santos.


http://www.rituais.net/tabid/332/language/pt-PT/Default.aspx