sábado, 30 de março de 2013

A IMPORTÂNCIA DE INTERVIR EM EQUIPA


O nascimento de um filho é um acontecimento que marca inevitavelmente o percurso de uma família. De um projecto a dois passa-se para um futuro a três, a quatro…. A família junta-se e suporta-se para se constituir como uma resposta coerente.

Mas e quando isso não acontece…

«Foi muito difícil aceitar que o meu filho necessita de ajuda para se desenvolver, pois quando o idealizei, nunca pensei que as coisas poderiam não correr tão bem»

Esta e outras expressões, nós como técnicos de saúde e de educação ouvimos e lemos no olhar dos pais das nossas crianças e futuramente jovens.

 Intervir no seio de uma família exige a prevenção de riscos, identificando as vulnerabilidades e as forças de cada um dos seus elementos.

Intervir como equipa, permite-nos uma cooperação entre vários saberes, e que tem como finalidade trabalhar em prol de um único objetivo.

A equipa (multidisciplinar) permitirá uma acão clínica ou educativa unificada, decorrente de pontos de vistas diferentes do saber, permitirá dotar os seus elementos de estratégias com as quais podem construir uma resposta mais integradora à situação em questão, ao contrário da visão isolada de cada um dos seus representantes, que possuem um olhar para o problema de acordo com a sua experiência.

«Nós agradecemos pelo trabalho em equipe que têm tido com o nosso filho».

São estes testemunhos que reforçam ainda mais a importância da abordagem multidisciplinar na intervenção junto a perturbações do desenvolvimento.

É fundamental no trabalho multidisciplinar prevenir e promover o desenvolvimento da criança através da aquisição de novos conceitos e de uma nova prática de saúde e educação em função das necessidades irredutíveis da criança.

«Neste momento as terapeutas que acompanham são mais do que isso, pois para além do seu trabalho técnico, esclarecem todas as minhas dúvidas e ajudam-me a superar os meus medos»

È para isto que todos devemos trabalhar…

 
Ana Marques
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Dia Europeu da Terapia da Fala

Dia 6 de Março de 2013 comemora-se o Dia Europeu da Terapia da Fala. A CPLOL (Comité Permanent de Liaison  des Orthophonistes / Logopèdes de l'Union Européenne) este ano dá como temática para a comemoração deste dia as «Perturbação Especifica de Linguagem, desenvolvimento da Linguagem, Leitura e escrita». 

Um tema pertinente, uma vez que deparo-me frequentemente com algumas situações no âmbito da aprendizagem que numa intervenção precoce e atempada poderia minimizar as dificuldades apresentadas pelas crianças com dificuldades ao nível da aquisição da leitura e da escrita. A maior parte dos pais e professores frequentemente atrasam o pedido de avaliação de crianças com dificuldades na leitura porque acreditam que muitos desses problemas são transitórios e que com o tempo serão superados. È claro que no «caminho» da aprendizagem deparamo- nos com algumas dessas situações que são transitórias, no entanto, existem sinais de alerta que são importantes de ter em conta e que o reconhecimento destas dificuldades permite aceder á sua resolução o quanto antes.

Atualmente e graças à investigação realizada no âmbito das capacidades de linguagem, incluindo aqui as capacidades de linguagem para a leitura e escrita, é possível sistematizar e concretizar alguns desses sinais de alerta específicos. O reconhecimento destes mesmos sinais podem identificar crianças em risco de dificuldades especificas de aprendizagem, de tal modo que assim a avaliação e intervenção adequada junto a estas crianças será precoce, prevenindo o efeito potencialmente cumulativo e prejudicial das dificuldades ao nível da leitura.

Foi com este objetivo (alertar para a importância de uma avaliação e intervenção precoce e adaptada) que a Equilibrium, em meu nome - TF Ana Marques, organizamos algumas ações de sensibilização junto às escolas para dar a conhecer o papel do terapeuta da fala junto as dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita e sobre os sinais de alerta para as dificuldades ao nível das capacidades de linguagem para a leitura e escrita.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Mom's voice plays special role in activating newborn's brain

Mom's voice plays special role in activating newborn's brain



Durante as minhas pesquisas sobre processamento sensorial e linguagem descobri alguns artigos que acho interessantes e «explicativos» de muitos dos nossos comportamentos desde o nascimento, este é um deles, por isso aconselho a leitura.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

No âmbito da IV Reunião da Associação Ser Bebé com o tema: «Nascer Antes do Tempo: as vivências, as intervenções e a ética», falo-vos hoje da intervenção do terapeuta da fala na neonatologia, dos seus objetivos e da importância que tem para o desenvolvimento destes bebés que nasceram prematuramente. 

As dificuldades de deglutição constituem um risco para a sobrevivência e para o desenvolvimento do RN no período neo-natal. A alimentação das crianças, desde o seu nascimento, exerce um grande impacto sobre elas e sobre a família. Muitas vezes é necessário «olhar» para além das questões técnicas, no sentido de compreender e atuar de forma a facilitar e encorajar o estabelecimento de interações saudáveis, pois qualquer alteração na alimentação poderá afetar tanto o estado nutritivo como também o desenvolvimento global do bebé e consequentemente o processo de interação e vinculação.

 Integrando a equipa da neonatologia a intervenção do TF assume um papel de relevância nos cuidados prestados ao RN. No campo de actuação deste técnico, faz parte a atenção permanente à função de alimentação, ao desenvolvimento neurosensoriomotor global e à saúde da comunicação. A intervenção dá-se a um nível preventivo primário e secundário, pois envolve a orientação e o aconselhamento aos pais como também a deteção e intervenção direta no RN. 

 A intervenção é posta em prática após a avaliação e elaboração de um programa de tratamento, tendo sempre em conta as necessidades específicas de cada bebé. A Estimulação Sensório Motora Oral, a Sucção Não Nutritiva e a Sucção Nutritiva tendo como base de intervenção o conceito de Bobath, são técnicas específicas do conhecimento do TF que visam a estimulação do desenvolvimento normal do sistema estomatognático e têm como objetivo: 
 - Adequação da motricidade orofacial; 
 - Facilitação da associação da sucção com a saciação; 
 - Facilitação da digestão; 
 - Alteração dos estados de vigília; 
 - Aumento de oxigenação durante e após a mamada 
 - Aumento de peso com a mesma quantidade calórica 
- Passagem da alimentação por sonda para alimentação via oral mais rápida e eficaz 
 - Alta hospitalar mais cedo. 
Com a intervenção, pretende-se também prevenir: 
 - Aspirações, que podem levar a complicações pulmonares 
 - Agravamento do quadro de disfagia 
 - Dificuldades nas transições alimentares 
- etc…

 ________________________________________________________________________________Referências Bibliográficas
Jacobi,J.Levy,D.Silva,L.«Disfagia – Avaliação e Tratamento».Rio de Janeiro.Revinter.2003 Hernandez,A.«O Neonato».São Paulo.Pulso Editorial.2003
Ferreira.Befi-Lopes.Limongi.«Tratado de Fonoaudiologia».Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.Roca Editora.2005

sexta-feira, 1 de junho de 2012

INTERVENÇÃO DA TERAPIA DA FALA NO SINDROME DE ASPERGER

Hoje, dia 1 de Junho, comemora-se o dia mundial da criança, uma data assinalada para lembrarmo-nos dos seus direitos e não esquecer que cada criança è UMA criança, e HÁ que respeitar as suas diferenças. Por isso, hoje publico um excerto de um artigo sobre a intervenção no sindrome de asperger, respetivamente a intervenção da terapia da fala.

O Sindrome de Asperger (SA) apresenta desvios significativos e anormalidades nas areas do relacionamento social, uso da linguagem para a comunicação e certas caracteristicas de comportamento e estilo, que envolvem repetições ou perseverações sobre um número limitado , porém intenso, de interesses e estereotipias. Encontram-se factores semelhantes ao que acontece no autismo, mas sem défices cognitivos, nem atrasos no desenvolvimento da linguagem, embora possuem caracteristicas peculiares, com alteração verbal e não-verbal (Batista, 2002; Fernandes, 2000).
Batista (2002) e Lopes (2000) apontam os disturbios da comunicação verbal e não-verbal como caracteristicas da SA, uma vez que estes individuos parecem não utilizar a linguagem dentro do processo comunicativo socio-interaccional, mas como objecto, com um fim em si mesmo. Apresentam um campo limitado e peculiar de interesses, dedicando-se a assuntos não usuais ao seu grupo etário e utilizando a excelente capacidade de memória que possuem. Por vezes, apresentam uma fala pedante, desde o inicio das suas manifestações verbais, com o uso de palavras dificeis, num tom falso e pouco espontâneo (alterações ao nível da prosódia e melodia).

Tais caracteristicas são demonstradas pelas dificuldades em criar um discurso coeso e contextualizado e em iniciar e manter turnos e tópicos na conversação. Segundo os estudos de Fernandes (2000) e Lopes (2000), a compreensão destes individuos como um todo pode estar comprometida, já que a tendência é deles compreenderem o que lhes foi dito de forma literal, não conseguindo abstrair o conteúdo metafórico ou o duplo sentido das expressões. Existe, portanto, uma disparidade entre o uso que estes indivíduos fazem de vocabulários pouco usuais, a idade cronológica e a dificuldade de entendimento de palavras e expressões de uso incomum. Uma criança com SA quando avaliada no seu aspecto pragmático consegue estabelecer um compromisso conversacional por tempo limitado, distraindo-se e modificando, constantemente, o foco da conversação para temas divergentes, na maioria das vezes de interesse pessoal, e também por tempo restrito, isto segundo pesquisas de Batista (2002) e Limongi (2003). É observada igualmente a grande necessidade da criança em estabelecer alguma actividade linguística quando o silêncio se torna presente, porém, fá-lo com conteúdos de baixa coesão. Quanto às habilidades conversacionais, é importante ressaltar a presença de características peculiares na voz, como entoação exacerbada, velocidade de discurso aumentada, altura tonal muitas vezes exagerada e sensação de voz robotizada (Batista 2002). Além de apresentarem nos seus discursos uma fala pedante com uso de palavras e expressões descontextualizadas, chegando à estereotipia e ao jargão. Segundo Batista (2002), é possível observar o uso assistemático de pronomes pessoais, possessivos, interrogativos, demonstrativos e indefinidos, o que torna a fala mais cansativa e estereotipada. Em relação às habilidades não-verbais, os gestos simbólicos são poucos utilizados por estas crianças, apresentam pouca mímica facial, muitas vezes não realizando expressões faciais marcantes em momentos distintos e parecem não entender mímicas e expressões faciais das outras pessoas (Fernandes, 2000). Para além disso, apresentam grande dificuldade em comunicar com o olhar, mantendo pouco ou quase nenhum contacto visual com o interlocutor. Características estas que dificultam ainda mais o estabelecimento de uma comunicação positiva e interactiva (Batista, 2002)

O acompanhamento da terapia da fala nestes casos é de suma importância para o desenvolvimento mais próximo do considerado normal da linguagem e da comunicação destes indivíduos. A obtenção de dados objectivos com a família sobre a comunicação e a interacção da criança permite ao profissional identificar progressos a curto prazo ou a delineação de procedimentos alternativos. A partir desses dados e da própria avaliação do profissional, com os meios necessários para isso, é construído o perfil comunicativo da criança, o que facilita todo processo terapêutico, sem deixar de dar atenção aos aspectos subjectivos também envolvidos neste processo.

Ana Marques
in Revista Diversidades «O Mundo Aspie»